O Paraguai deu um passo decisivo para a aquicultura na região de fronteira. Em sessão extraordinária realizada no dia 10 de dezembro, o Senado paraguaio aprovou a liberação da produção de tilápia no Lago de Itaipu, medida aguardada há décadas por produtores, investidores e entidades do setor.
A mudança na legislação consolida o reservatório como um dos locais com maior potencial aquícola do mundo. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), a capacidade de produção no lago pode chegar a 400 mil toneladas de peixe, colocando a região em destaque no cenário global do pescado.
A expectativa de liberação já vinha sendo discutida há alguns anos e ganhou força durante o IFC Brasil, importante fórum da cadeia produtiva. Na abertura da sétima edição do evento, realizada em setembro, o diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, Enio Verri, adiantou que a aprovação da tilapicultura no lado paraguaio seria um marco histórico para o reservatório.
Com a decisão agora oficializada pelo Parlamento do Paraguai, abre-se espaço para um acordo binacional entre Brasil e Paraguai, permitindo a implantação de projetos de produção em larga escala no lago. O objetivo é transformar Itaipu em um polo integrado de aquicultura, com geração de emprego, renda e novas oportunidades de negócios para toda a região de fronteira.
A medida aproveita o enorme potencial do lago, com cerca de 170 quilômetros de extensão. Estudos conjuntos indicam que, com a regulamentação em vigor, o Paraguai pode figurar entre os cinco maiores exportadores mundiais de tilápia, ampliando as exportações de pescado e atraindo novos investimentos.
Para Altemir Gregolin, presidente do IFC Brasil e ex-ministro da Pesca, a aprovação coroa um trabalho de mais de uma década em defesa da aquicultura em reservatórios de grande porte. Ele destaca que Itaipu tem condições de se transformar em um dos principais polos de produção de tilápia do Brasil, reforçando a vocação da região para a chamada Economia Azul – uso sustentável dos recursos hídricos para geração de riqueza e desenvolvimento.
A autora da proposta no Congresso paraguaio, a deputada María Rocío Abed de Zacarias, ressalta que a nova legislação não trata apenas da liberação da tilapicultura, mas de um passo concreto na integração produtiva e tecnológica entre os dois países. A cooperação Brasil–Paraguai deverá envolver intercâmbio de conhecimento técnico, compartilhamento de investimentos e acesso a novos mercados internacionais.
Pelo lado brasileiro, representantes de Itaipu Binacional enfatizam que a infraestrutura já existente no reservatório, somada à regulamentação paraguaia, cria as condições ideais para modelos de produção sustentáveis, competitivos e altamente tecnificados, com foco em boas práticas ambientais, bem-estar animal e rastreabilidade.
Com o avanço regulatório no Paraguai e a experiência acumulada do lado brasileiro, o Lago de Itaipu tende a se consolidar como vitrine de projetos modernos de piscicultura em reservatórios. A perspectiva é de instalação de parques aquícolas planejados, com sistemas de cultivo em tanques-rede, apoio logístico, processamento local e canais estruturados de comercialização.
Para empresas e produtores de toda a região Oeste do Paraná e países vizinhos, a decisão abre uma janela única de oportunidades em:
implantação de novos empreendimentos aquícolas;
fornecimento de insumos, equipamentos e serviços especializados;
capacitação de mão de obra e transferência de tecnologia;
ampliação da oferta de tilápia de qualidade para mercados interno e externo.
