O governo do Paraná sancionou a Lei nº 22.962/2025, que altera a Lei do ICMS do Estado (Lei nº 11.580/1996) e cria uma alíquota específica de 22% para operações com tilápia importada do exterior. A nova regra passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 e incide tanto sobre a entrada do produto no Estado como sobre as operações internas com peixe de origem estrangeira.
Na prática, o Paraná passa a tributar de forma diferenciada a tilápia importada, buscando desestimular a concorrência externa e ampliar a segurança para os produtores locais, que hoje são protagonistas da cadeia aquícola brasileira.
De acordo com dados oficiais recentes, o Paraná responde por cerca de 38% da produção brasileira de tilápia e por aproximadamente 70% das exportações nacionais do pescado, com volume superior a 190 mil toneladas em 2024. A tilapicultura envolve uma extensa cadeia produtiva, que inclui fábricas de ração, frigoríficos, transporte, comércio e serviços especializados.
Estudos anteriores já apontavam o Estado como principal produtor de tilápia do país, com mais de um terço da produção nacional de piscicultura e forte participação nas exportações brasileiras de peixes cultivados.
Nesse contexto, qualquer oscilação de preços ou entrada massiva de produto importado impacta diretamente milhares de produtores, cooperativas, indústrias de processamento e empresas ligadas ao setor – entre elas, companhias de infraestrutura aquícola como a Multipesca.
A mudança foi inserida no artigo que trata das alíquotas internas do ICMS no Paraná. A partir da Lei nº 22.962/2025, o dispositivo passou a prever, de forma expressa:
“alíquota de 22% nas operações com tilápia, quando importada do exterior”.
Ou seja, apenas a tilápia de origem estrangeira é alcançada por essa tributação específica. A tilápia produzida no Paraná e no restante do Brasil permanece sujeita às alíquotas gerais já praticadas para operações internas.
A criação da nova alíquota atende a uma demanda de entidades representativas da cadeia da tilapicultura, que há anos alertam para:
Concorrência desleal com produto importado, muitas vezes com custo menor e condições tributárias diferentes das praticadas no Brasil.
Risco de retração de investimentos em novos viveiros, frigoríficos e plantas de processamento caso o mercado interno seja ocupado por peixe vindo de outros países.
Preocupações sanitárias, especialmente em relação ao Tilapia Lake Virus (TiLV), agente que já provocou altas mortalidades em diferentes regiões produtoras do mundo e que é monitorado por autoridades sanitárias internacionais.
Além de proteger a competitividade do produtor paranaense, o governo busca preservar o status sanitário do Estado, reconhecido desde 2021 como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), condição estratégica para abertura e manutenção de mercados internacionais de proteína animal.
A tributação mais alta não é o único movimento em defesa do setor. Em 2025, foi apresentado na Assembleia Legislativa do Paraná o Projeto de Lei nº 1068/2025, que propõe restringir a importação e comercialização de tilápia de origem estrangeira em todo o Estado, com foco na proteção do produtor local e na sustentabilidade da cadeia produtiva.
Embora o projeto ainda esteja em tramitação, ele demonstra que o tema entrou definitivamente na agenda regulatória paranaense e que há forte mobilização política e institucional para garantir previsibilidade ao setor.
Para os produtores, cooperativas e indústrias de pescado, a expectativa é de que a nova alíquota:
Desestimule importações em larga escala destinadas ao mercado interno paranaense;
Traga mais estabilidade de preços ao produtor local;
Fortaleça a competitividade da tilápia paranaense nos mercados interno e externo;
Incentive novos investimentos em tecnologia, biossegurança e ampliação de unidades produtoras.
Entidades do agronegócio defendem que a segurança jurídica e a previsibilidade em relação à concorrência externa são fundamentais para manter o ritmo de expansão da tilapicultura no Paraná, setor que vem se consolidando como um dos pilares da economia regional e nacional.
Para empresas que atuam na implantação de sistemas de produção aquícola, construção de tanques, reservatórios e soluções de manejo – como a Multipesca – a decisão reforça um cenário estratégico favorável à expansão da tilapicultura no Oeste do Paraná e em todo o Estado.
Com maior proteção ao produtor local, a tendência é de:
Ampliação de áreas de cultivo, com novos projetos de tanques escavados, tanques elevados e estruturas em reservatórios;
Demanda crescente por infraestrutura de qualidade, incluindo geomembranas, sistemas de aeração, redes, estruturas metálicas e soluções de engenharia aquícola;
Valorização de projetos tecnicamente bem planejados, com foco em eficiência produtiva, biossegurança e sustentabilidade ambiental.
